12/01/2016

RIP Angus Scrimm, a natureza gentil por trás de um personagem perverso (1926-2016)


É uma pena realmente que Angus tenha nos deixado, é uma daquelas peças raras que jamais esperamos que vá falecer, tão importante quanto qualquer outro ator do gênero de Terror, mas que não teve todo o glamour das grandes mídias, como todo bom ator criado pelo cinema independente norte-americano, do qual inclusive muitos caem em esquecimento, mas ele se salvou pela ousada aposta que deu certo, estou falando é claro da franquia "Phantasm", uma real obra do visionário diretor Don Coscarelli, ele que já via em Angus um excelente personagem, moldou o Tall Man conforme os atributos do ator, de uma forma mais sinistra e que combinaria perfeitamente com o ator.

Essa união era o trunfo de "Phantasm", era uma coisa que conforme o próprio Angus já definia, no fim das contas foi bem divertido, apesar de toda a tensão de realizar um Terror, a união era a chave do sucesso da franquia, mesmo antes de ser "vendida" para a realização de sua primeira sequência de '88, e os contratos milionários de produção, apesar de que, claro, não dá para retirar os méritos deste filme já que foi o grande revelador comercial dos filmes, e trouxe um novo Tall Man, mais bem trabalhado, e com uma visão de Fotografia muito mais moderna que as câmeras já praticamente primitivas de Coscarelli.

Angus Scrimm, após sua morte foi descrito quase que unanimemente entre seus conhecidos, e íntimos como um homem gentil, doce, inteligente... Nas línguas gringas, um verdadeiro Gentleman. Em completa ironia de seu personagem frio, bisonho e odioso, ele foi um homem e tanto, que sem dúvidas vai fazer falta não só no cinema mas para todos que conheciam essa figura elegante. Sempre tratou os fãs bem, nunca fez desfeita com ninguém, nem mesmo já idoso, quase na casa dos 90, faltou em 2 ou 3 ocasiões em toda a sua carreira em comparecer a convenções de terror, atendendo pelo "Phantasm", uma dessas exceções foi já neste último semestre de 2015, no Scarefest, devido a uma gripe, nem assim ele se fez menos presente, esteve lá pelo telefone.

Ao contrário do que alguns critiqueiros dizem, Angus Scrimm foi um grande ator, eu tenho para mim que a importância dele é como a do Gunnar Hansen no "Massacre da Serra Elétrica" de '74, numa época em que o cinema independente ainda procurava uma definição de clássicos, eles aceitaram sem se saber com exata descrição no que estavam se metendo, e tornaram-se o apetite de tais filmes, não dá para imaginá-los sem os ícones maldosos, filmes que marcaram não só um período, mas são históricos e verdadeiras fábricas de sequências, remakes, cópias e influências dos mais diversos tipos.


Scrimm sempre, desde o início de sua carreira como ator teve a sorte de papéis com o qual ele podia manter sua postura como total Gentleman, ou em figuras mais sérias, no qual ele parecia se encaixar bem melhor, desde Abraham Lincoln, seu primeiro papel ao Tall Man (e não é nada diferente) último papel ao qual se manteve fiel a despeito da idade, mesmo apesar de toda a frieza de falas, vemos um personagem sempre muito elegantemente vestido que apesar de mortal raramente desfere a morte com suas próprias mãos em atitudes mais grosseiras e brutais.

A bondade de Angus já podia ser notada nos primórdios de atuação com Don Coscarelli, mesmo quando ainda era um diretor praticamente inexperiente (em comparação com hoje), Angus já se dispunha para atuar em suas apostas independentes, no primeiro Phantasm topou, algo diferente, que muito ator poderia recusar, ele fez o que tinha que fazer com seriedade, até se arriscou nas cenas que era preciso, numa época de poucos efeitos visuais computadorizados, ele sem a necessidade de um dublê realizou, e conforme Coscarelli já falou, ele era um verdadeiro guerreiro, e esse tipo de raça pela cansativa arte de fazer cinema com as próprias mãos.


Cada vez mais atores como Angus fazem falta no gênero de Terror, e os remanescentes estão desaparecendo, são aquelas pessoas que mantem a moda antiga, todo um contexto melhor valorizado do que os de hoje em dia, não é atoa que existem tantos remakes e cópias baratas, por sorte Phantasm não caiu neste mal, pelo menos ainda não.

E assim acaba a franquia Phantasm, mas não se vai junto com Angus, tampouco sua própria memória, será sempre lembrado, o nosso mestre macabro, e Phantasm ainda marcará muitas infâncias e juventudes com o terror sinistro que ele nos causou, e como todo bom filme do gênero, será uma forma de nostalgia indeferível por muitas e muitas gerações mais.


RIP Angus Scrimm (1926 - 2016).

Agradecimentos: Kristen Deem por ceder imagem de seus arquivos pessoais
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